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Igrejas da Mouraria

Igrejas da Mouraria

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Descrição

Duração - 3 horas

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Dificuldade - Elevada

Passear na Mouraria é lembrar a diáspora portuguesa, a boa convivência entre religiões e culturas; é percorrer ruas estreitas, becos e vielas da antiga Lisboa muçulmana; é lembrar palácios e conventos desaparecidos, o fado, antigos ofícios e olarias.

Palácio Caldas / Sede do CDS/PP Palácio Caldas / Sede do CDS/PP

Este palácio de traçado pombalino foi construído pelos irmãos Rodrigues Caldas, entre 1765 e 1775. Propriedade do Patriarcado de Lisboa, por doação das irmãs Caldas Machado, nele viveu o Padre Francisco Rodrigues da Cruz, entre 1927 e 1948, e cujo processo de beatificação está em curso. O quarto do Padre Cruz, no segundo andar do edifício, pode ser visitado e é local de devoção. A capela do palácio, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, está habitualmente encerrada. O palácio é atualmente a sede do partido CDS/PP.

Palácio Aveiras / Palácio Vagos Palácio Aveiras / Palácio Vagos

O palácio, com fachada barroca do século XVIII, é hoje sede da Associação dos Socorros Mútuos de Empregados no Comércio. No século XV, era aqui o palácio real «a par de São Cristóvão», onde se celebraram, em 1451, as festas de casamento da irmã do rei D. Afonso V, D. Leonor, com o imperador Frederico III. Os vestígios arquitetónicos do antigo paço são ainda visíveis no portão da Rua do Regedor, n.º 2. É conhecido por Palácio Aveiras ou Vagos por nele terem habitado os condes de Aveiras, depois marqueses de Vagos.

São Cristóvão São Cristóvão

Esta é uma das poucas igrejas de Lisboa que resistiram ao terramoto de 1755, constituindo um valioso testemunho do primeiro barroco nacional. Neste local existia uma igreja cristã moçárabe, consagrada a Santa Maria de Alcamim, que no início do século XIV assumira já a invocação de São Cristóvão. Destruída por um incêndio no início do século XVI, foi reconstruída e recebeu nova e profunda campanha de obras na segunda metade do século XVII. O seu interior conserva ainda o espólio seiscentista, com bonita talha dourada barroca e telas do pintor Bento Coelho da Silveira (1618-1708). Na antiga sacristia, encontram-se o túmulo de D. Fernando de Miranda, bispo de Viseu, e as sepulturas de seus familiares.

Recolhimento de São Cristóvão Recolhimento de São Cristóvão

Este edifício albergava senhoras que não tinham outro modo de sustento. O portão ostenta uma lápide onde se lê: «Louvado seja o Santíssimo Sacramento. Este recolhimento é de Nossa Senhora do Amparo e meninas órfãs. Padre Nosso pelas almas 1610».

Casa Largo da Achada Casa Largo da Achada

A casa de ressalto com duas portas sob arcos em ogiva é uma das poucas casas medievais que sobreviveram ao terramoto de 1755.

Rua das Farinhas Rua das Farinhas

O nome da rua evoca a atividade comercial outrora predominante na zona. Destacam-se as casas em ressalto e os silhares de pedra encastrados nas fachadas dos números 24 a 26 e 30, indicando os proprietários dos imóveis. No n.o 24, por exemplo, o corvo e a inscrição «São Vicente». Na casa de ressalto nos n.os 32 a 34, pode-se ver registo de azulejos que evoca São Marçal.

Palácio da Rosa / Palácio Castelo-Melhor Palácio da Rosa / Palácio Castelo-Melhor

O palácio foi construído no século XVII e reconstruído depois do Terramoto em articulação com a Igreja de São Lourenço. O brasão sobre o portal ostenta as armas dos viscondes de Vila Nova de Cerveira, mais tarde elevados a marqueses de Ponte de Lima. O palácio passaria mais tarde à posse dos marqueses de Castelo Melhor. Um pouco mais abaixo, a fachada tem encastrada uma inscrição gravada que diz: «Mandada reedificar em 1904 pelo marquês de Castelo-Melhor juiz da Irmandade do Santíssimo».

Largo da Rosa Largo da Rosa

O nome do largo evoca o convento de irmãs dominicanas de Nossa Senhora do Rosário, mais conhecido por Convento da Rosa, que existiu no local. Muito arruinado pelo terramoto de 1755, o convento não voltou a ser habitado, tendo as religiosas sido transferidas para o Convento de Santa Joana, junto ao Largo de Andaluz. Por esta razão, na fachada da casa, a inscrição «Foro a Santa Joana» indica a quem era devido o foro do local.

Antiga Igreja de São Lourenço Antiga Igreja de São Lourenço

Na fachada poente do Palácio da Rosa encontra-se a antiga Igreja de São Lourenço, hoje dessacralizada. Na fachada, as duas pedras redondas com uma cruz são cabeceiras de sepulturas medievais, descobertas no local. A lápide afixada na fachada, diz: “Os que confessados e comungados subirem esta escada e entrando na igreja rezarem um padre-nosso e ave-maria pela concórdia dos príncipes cristãos e destruição das heresias e exaltação da fé católica e por atenção e alma de quem a mandou fazer a sua custa ganham um ano de indulgências cada vez que o fizerem e no dia de São Lourenço de vésperas a vésperas indulgência plenária e remissão de todos os pecados 1587”. O palácio e a igreja foram comprados em 1970 pela Câmara Municipal de Lisboa.

Nossa Senhora do Socorro Nossa Senhora do Socorro

No local da antiga mesquita, instalou-se um convento de Dominicanas, e depois, em 1538, o edifício foi ocupado pelos Cónegos Regrantes de Santo Antão, designação pela qual passou a ser conhecido o convento. Em 1542, por doação, tornou-se a primeira casa própria da Companhia de Jesus no mundo e, onze anos depois, o seu primeiro colégio em Portugal. A casa passou a ser conhecido por Coleginho, ou Santo Antão-o-Velho, quando, em 1593, os Jesuítas se mudaram para uma outra casa, que recebeu o nome de Santo Antão-o-Novo, onde é hoje o Hospital de S. José. Nesta data, o Coleginho passou a convento dos Eremitas de Santo Agostinho. A paróquia de Nossa Senhora do Socorro foi para aqui transferida, quando em 1950 se demoliu a sua igreja paroquial para dar lugar ao atual Largo de Martim Moniz. A estrutura da sacristia da igreja, edificada no século XVII, permanece quase intacta, conservando os belos mármores embutidos e os azulejos setecentistas.

Largo da Severa Largo da Severa

O largo homenageia Maria Severa Onofriana (1820-1846), a Severa, uma das célebres figuras do fado português, imortalizada no romance de Júlio Dantas e no primeiro filme sonoro português realizado por Leitão de Barros. A Casa da Severa, situada na Rua do Capelão, n.º 35A, está identificada por uma placa. O bairro da Mouraria é conhecido como um dos berços do fado e de muitos fadistas populares como Fernando Maurício, cuja casa ostenta igualmente uma lápide.

Colégio de Jesus dos Meninos Órfaos Colégio de Jesus dos Meninos Órfaos

Situado no n.º 64 da Rua da Mouraria, o edifício pode passar despercebido devido às alterações sofridas. No portal manuelino, que atesta a antiguidade do edifício, pode-se ver duas colunas curiosamente invertidas. Aqui existiu o primeiro hospital para crianças órfãs e abandonadas de Portugal, instituído pela Rainha D. Beatriz no século XIII. O hospício foi reformado, no século XVI, pela Rainha D. Catarina, e entregue aos padres da Companhia de Jesus. Os meninos do Colégio de Jesus, depois de ensinados na doutrina cristã, partiam para as partes de África, Ásia e Brasil, a acompanhar os missionários na evangelização. Os painéis de azulejos com cenas do Antigo e Novo Testamentos, atribuídos ao pintor Domingos de Almeida, serviam uma dupla função: decorar o interior do edifício e ensinar o catecismo.

Nossa Senhora da Saúde Nossa Senhora da Saúde

Aqui existiu, desde 1506, uma ermida dedicada a São Sebastião, mandada erigir pelos artilheiros da guarnição de Lisboa quando a cidade sofreu um violento surto de peste. No final do século XVI, instalou-se nela a Irmandade de Nossa Senhora da Saúde, cuja imagem se guardava no Colégio dos Meninos Órfãos. A primeira procissão da Senhora da Saúde data de finais do século XVI e ainda hoje se realiza no primeiro domingo de Maio. Repare na calçada em frente da capela, que reproduz o traçado da fachada. Os painéis de azulejo do interior são do século XVIII, da escola de António de Oliveira Bernardes. É sede da Real Irmandade de Nossa Senhora da Saúde e de São Sebastião.

Rua do Bem Formoso Rua do Bem Formoso

Segundo se pensa, o nome da rua vem da deturpação de “Boi Formoso” e recorda o tempo em que esta zona era arrabalde da cidade, zona de quintas e de pastoreio. Por esta rua, uma das entradas da cidade, circulavam os saloios com os produtos que vinham vender ao mercado da Figueira.

Largo do Intendente Largo do Intendente

Este largo deve o seu nome a Diogo Inácio de Pina Manique, que no reinado de D. Maria I (1777-1816) ocupou o cargo de intendente da polícia.

Casa Pina Manique Casa Pina Manique

Pina Manique (1733-1805) residiu no n.º 52, onde uma lápide colocada na fachada do prédio lhe presta homenagem como fundador da Casa Pia.

Casa de Cerâmica Viúva Lamego Casa de Cerâmica Viúva Lamego

O edifício está hoje ocupado pela loja Vida Portuguesa. Na fachada da antiga fábrica, revestida a azulejos figurativos, os rolos que os chineses estão a desenrolar indicam o nome do proprietário e a data da fundação da fábrica: António da Costa Lamego, ano de 1849.

Rua das Olarias Rua das Olarias

O nome da rua evoca o local onde funcionavam as inúmeras olarias, propriedade dos Mouros que se instalaram nesta zona da cidade após a conquista de Lisboa, em 1147. A existência destas oficinas deve-se ao facto de estas terras serem ricas em barro.

Senhor Jesus da Boa Sorte e Via Sacra Senhor Jesus da Boa Sorte e Via Sacra

A igreja, construída entre 1759 e 1764, possui um Cristo Crucificado atribuído ao escultor Machado de Castro. Nos nichos laterais, tem imagens de São Sebastião e de Santo António. A inscrição na fachada indica que «Esta ermida é da Irmandade dos irmãos da Boa Sorte e Via Sacra ano 1758». no tímpano do portal, estão representados os emblemas da Paixão.

Passo da Verónica Passo da Verónica

Esta pequena capela encimada por uma cruz é um dos dois únicos passos que subsistem no percurso da procissão do Senhor Jesus dos Passos que se realiza desde o séc. XVI, entre a Igreja de São Roque e a Igreja de Nossa Senhora da Graça.

Passo de Simão de Cirene Passo de Simão de Cirene

Neste bonito palácio encontra-se mais um passo, o de Simão de Cirene, da procissão do Senhor Jesus dos Passos. Nesta casa nasceu, em 1647, São João de Brito, jesuíta que, depois de formado no Colégio de Santo Antão-o-Novo, partiu, em 1673, como missionário para a Índia. O seu trabalho na missão de Madurai foi extraordinário e valeu-lhe o epíteto de «São Francisco Xavier português». Acabou por ser preso e martirizado em 1693.

Teatro Taborda Teatro Taborda

No n.º 75 da Costa do Castelo está o Teatro Taborda e nele está instalada a companhia Teatro da Garagem. O edifício ocupa o espaço de uma antiga capela da cerca do Convento de Santo Antão-o-Velho. O edifício serve de sala de espetáculos desde 1870.

Mural da Travessa da Mata Mural da Travessa da Mata

Representa os cavaleiros da mala-posta real na azáfama existente nesta rua com o vaivém dos carteiros que trabalhavam para a família Gomes da Mata, detentora do monopólio do serviço do correio público entre 1606 e 1797, a qual dá nome à travessa.

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