Rotas

Fátima em Lisboa

Fátima em Lisboa

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Descrição

Duração - 1 dia

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Dificuldade - Média

UM DIA COM NOSSA SENHORA DE FÁTIMA EM LISBOA


Esta rota pelas ruas de Lisboa é evocação de um caminho interior de encontro com a Virgem Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe. Somos chamados a que cada passo desta caminhada seja dado na intimidade com Maria, que tanto apaixonou as três crianças de Fátima, e que não deixará de aprofundar, nos nossos corações, a vontade de converter a nossa vida.

Santíssimo Coração de Jesus (Basílica da Estrela) Santíssimo Coração de Jesus (Basílica da Estrela)

A Basílica da Estrela surgiu da devoção de D. Maria I ao culto do Sagrado Coração de Jesus. Em 1760, aquando do seu casamento com o Infante D. Pedro, a ainda princesa fez um voto ao Santíssimo Coração, de lhe erguer uma igreja e convento para as religiosas da Regra do Carmo, da reforma descalça de Santa Teresa de Jesus, pedindo o nascimento de um filho varão. 


A Basílica foi a primeira igreja do mundo a receber o título de lugar de culto ao Sagrado Coração de Jesus por bula pontifícia, em 1789.


A devoção aos Corações de Jesus e Maria está bem presente na Mensagem de Fátima: “Jesus quer servir-Se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração” (2ª Aparição, 13 de Junho de 1917- Memórias da Irmã Lúcia).


Este pedido de Nossa Senhora de Fátima a Lúcia é também para todos nós: “Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”.

Mosteiro do Imaculado Coração de Maria (Convento das Clarissas) Mosteiro do Imaculado Coração de Maria (Convento das Clarissas)

A partir de Abril de 1919, logo após à morte do seu irmão, São Francisco Marto, Santa Jacinta Marto adoeceu gravemente com broncopneumonia, sendo internada no hospital de Ourém, mas continuando a piorar. Em 1920, o Dr. Eurico Lisboa e o Cónego Formigão começaram a tentar a solução do internamento no Hospital da Estefânia, em Lisboa. As regras do hospital, à época, apenas permitiam o tratamento de crianças de Lisboa. Ultrapassadas algumas dificuldades, Jacinta foi recebida pela Madre Godinho que dirigia um pequeno Orfanato de Nossa Senhora dos Milagres, na Rua da Estrela nº 17.


Ao orfanato, Jacinta passou a chamar “Casa de Nossa Senhora de Fátima”. Durante o tempo que esteve no orfanato, antes de ser internada no hospital, Jacinta passava longas horas a rezar e a espreitar o “Jesus escondido” (era como chamava ao Santíssimo Sacramento). Comungava diariamente. Segundo afirmou a diversas pessoas, foram várias as vezes que Nossa Senhora a visitou no orfanato.

Hospital da Rainha Dona Estefânia Hospital da Rainha Dona Estefânia

Face ao agravamento do seu estado de saúde, no dia 2 de Fevereiro de 1920, Santa Jacinta Marto é internada no Hospital da Rainha Dona Estefânia, na enfermaria para 14 crianças do rés-do-chão. Nos primeiros dias houve algumas melhoras que a todos encheram de esperança, porém de repente começou a piorar de forma brusca. Eram desesperantes as dores de Santa Jacinta, mas que não exteriorizava nunca o seu sofrimento. Destacava-se das outras crianças pelo seu silêncio e sossego. Ninguém sabia no hospital que Jacinta era uma das videntes de Fátima.


Foi operada no dia 10 de Fevereiro a uma “pleuresia purulenta de grande cavidade esquerda fistulada”. Nos últimos 3 dia antes da sua morte, nunca se queixou de dores. Este facto foi testemunhado pelos médicos e enfermeiras. Voltou a sorrir e a distrair-se com as estampas religiosas, que era o que mais lhe agradava. No dia 20 de Fevereiro o Padre Manuel Pereira dos Reis, da Igreja de Nossa Senhora dos Anjos, confessou-a pelas 20 h e prometeu vir no dia seguinte dar-lhe a extrema-unção. Perto das 22:30h, do dia 20 de Fevereiro de 1920, Santa Jacinta Marto, morreu, sozinha, na enfermaria do 1º andar.

Nossa Senhora dos Anjos Nossa Senhora dos Anjos

Ninguém queria que o corpo de Santa Jacinta fosse para a vala comum... Começou-se a fazer-se um peditório e conseguiu-se o suficiente para o caixão, enterro e outras despesas.  O Reverendo Baltazar da Silva fez a transladação dos restos mortais de Santa Jacinta para a Igreja de Nossa Senhora dos Anjos. O seu corpo ficou a ser velado desde o dia 21 de Fevereiro até ao dia 24, enquanto decidiam onde seria enterrada.


Santa Jacinta, no caixão, parecia um anjo, tão frágil, tão bela... não parecia que aquele ser humano tinha sofrido tanto nos últimos dias de vida. Estava bonita, e com os lábios e a face cor-de-rosa, parecia que estava a dormir.


Centenas de pessoas descobriram que Santa Jacinta ali estava e começou uma romaria à Igreja de Nossa Senhora dos Anjos. Todos queriam beijar o corpo, com mostras de grande piedade. Algumas pessoas queriam levar relíquias, sendo necessário pôr guarda ao caixão.


No dia 24 de Fevereiro uma multidão de pessoas de todas as idades acompanhou o féretro até à estação do Rossio, com a urna colocada num comboio e transportada até à estação de Chão de Maçãs (estação de Fátima), onde o Barão de Alvaiázere ofereceu o seu jazigo familiar em Vila Nova de Ourém.


No dia 13 de Setembro de 1935 foi transladada para o cemitério de Fátima e no dia 1 de Maio de 1951, colocada num sepulcro construído no pavimento da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, onde se veneram hoje os corpos dos três Pastorinhos de Fátima.

Nossa Senhora do Monte e São Gens Nossa Senhora do Monte e São Gens

A Capela de Nossa Senhora do Monte ou Ermida da Senhora do Monte encontra-se na freguesia de São Vicente (Graça), naquele que era chamado Monte de São Gens, em Lisboa.


A primeira ermida que existiu, perto deste local, foi construída em 1147 após a reconquista de Lisboa. Foi dedicada a São Gens de Lisboa que tinha sido bispo da cidade muito antes da reconquista e que teria sido martirizado neste local. Reconstruída após o terramoto de 1755, o seu interior apresenta painéis de azulejo  em estilo rococó, com episódios da vida de Nossa Senhora, retábulo em talha enquadrando a imagem da padroeira, um crucifixo em marfim e um presépio da escola de Machado de Castro. Aqui encontra-se a famosa cadeira de São Gens, de pedra, tradicionalmente procurada pelas mulheres grávidas que nela se sentam pedindo um bom parto.

Miradouro de Nossa Senhora do Monte Miradouro de Nossa Senhora do Monte

Junto a esta capela existe o Miradouro da Senhora do Monte, com uma bela vista sobre o Castelo de São Jorge e toda Lisboa.


Aqui está colocada - voltada para a cidade - uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, com o IMACULADO CORAÇÃO. Trata-se da iconografia que segue as indicações da Irmã Lúcia sobre a iconografia do Imaculado Coração de Maria:


“o manto devia cair em linha recta desde a cabeça até ao fim da túnica; a posição do coração é difícil em imagem, o modo como talvez dê mais ideia da realidade será o Coração sobre o peito (...) a mão direita aberta mais ou menos à altura do ombro (...) a mão esquerda mais ou menos à altura da cinta, aberta como que reflectindo no Céu e servindo de base mas o Coração não descansa nela. Este estava à frente do peito (...)   numa luz intensa que parecia espargir-se sobre a terra. Os olhos como que olhando as pessoas (...) o manto tinha à volta um fio de oiro semelhante a um raio de sol que sobressaia na imensa luz (...) o Coração com espinhos à volta...”.

Nossa Senhora da Saúde Nossa Senhora da Saúde

Neste local foi construída, em 1505, uma ermida dedicada a S. Sebastião. Após a peste de 1569, que fez milhares de mortos, o povo de Lisboa colocou na capela uma imagem de Nossa Senhora da Saúde. A capela sofreu obras após o terramoto de 1755, destacando-se a capela-mor decorada com talha dourada, verde e branca, em estilo rococó, albergando no retábulo a imagem da padroeira. A procissão em honra de Nossa Senhora da Saúde, que se mantém desde o século XVI, é das mais importantes da cidade.


No povo português esteve sempre presente um grande amor à Mãe do Céu e nas Memórias da irmã Lúcia, nos textos das descrições das Aparições, é impressionante e comovente esta imediata união maternal com pedidos simples de uma criança de 10 anos pelos mais doentes e pelo futuro de pessoas conhecidas e amigas.


E quais são as respostas de Nossa Senhora em Fátima?


Logo em Maio, na primeira aparição e depois em todas as outras, pediu para rezarmos sempre e todos os dias o terço. Em Junho prometeu que curaria um doente se ele se convertesse, em Julho e Agosto pediu-nos sacrifícios pelos pecadores. Em Setembro prometeu a cura de alguns doentes e ajudou-nos dizendo que faria um milagre para acreditarmos. E finalmente em Outubro: “– Uns, sim; outros, não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados”.

São Domingos São Domingos

A Igreja de São Domingos, construída no século XIII, por ordem do rei D. Sancho II, situa-se no centro de Lisboa na Praça D. Pedro IV. As pinturas dos altares, os paramentos, os tesouros, tudo desapareceu durante o terramoto de 1755, salvando-se unicamente a sacristia e a capela-mor, mandada fazer por D. João V. Sendo uma das maiores igrejas de Lisboa, nela se realizavam todas as grandes cerimónias religiosas da corte portuguesa.


Em 13 de Agosto de 1959, um violento incêndio destruiu por completo a decoração interior da igreja. A igreja recebeu obras e reabriu ao público em 1994, sem esconder as marcas do incêndio, como as colunas rachadas. Ainda que destruída, é uma igreja que sobressai pela policromia dos seus mármores. É de uma só nave, de dimensões majestosas.


Com a sua localização privilegiada e central, apresenta algumas das característica de Fátima na cidade de Lisboa. Nela há uma grande devoção à Nossa Senhora de Fátima, pois possui um altar logo perto da entrada, dedicado a esta invocação à Mãe do Céu, onde todos os dias, centenas de pessoas rezam, acendem velas e fazem os seus pedidos e agradecimento a Nossa Senhora. Aqui são veneradas duas importantes relíquias de Fátima: metade do lenço usado por Lúcia no dia 13 de Outubro de 1917 e  o terço que pertenceu a Santa Jacinta Marto.

São Nicolau São Nicolau

Este templo, reedificado após o Terramoto de 1755, seguiu o modelo pombalino, caracterizado por um geometrismo de cariz neoclássico, onde, no seu interior, sobressai a vivacidade das cores, dada pela luz natural, que ao entrar abundantemente pelas janelas, incide sobre os mármores das paredes e os marmoreados dos estuques, nos quais dominam harmoniosamente o azul, o encarnado e o ocre. Contemporaneamente, esta igreja, outrora, designada como o coração da cidade, oferece um lugar permanente de adoração ao Santíssimo Sacramento.


Na vida dos Pastorinhos, como nos recorda a irmã Lúcia no seu diálogo com Nossa Senhora na Aparição de 13 de Maio, está bem presente o seu amor ao Santíssimo Sacramento:


“– Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.


Foi ao pronunciar estas últimas palavras (a graça de Deus, etc.) que abriu pela primeira vez as mãos, comunicando-nos uma luz tão intensa, como que reflexo que delas expedia, que penetrando-nos no peito e no mais íntimo da alma, fazendo-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente que nos vemos no melhor dos espelhos. Então, por um impulso íntimo também comunicado, caímos de joelhos e repetíamos intimamente:


– Ó Santíssima Trindade, eu Vos adoro. Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento”.

Nossa Senhora da Conceição Velha Nossa Senhora da Conceição Velha

A actual igreja resultou da reconstrução, após o terramoto de 1755, da antiga Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia de Lisboa, primeira sede própria da Misericórdia no país. A sua fachada é, juntamente com o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, um dos melhores exemplos do manuelino em Lisboa. No seu interior, destaca-se a capela-mor, que foi a antiga capela lateral do Espírito Santo, mandada edificar em 1594. Alberga a imagem quinhentista de Nossa Senhora do Restelo, diante da qual rezaram os navegadores portugueses antes de partirem para as descobertas marítimas de um mundo novo.


Na aparição de Treze de Outubro, recorda Lúcia nas memórias que as palavras “que mais se me gravaram no coração foi o pedido da Nossa Santíssima Mãe do Céu:


“– Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido.


Que amorosa queixa e que terno pedido! Quem me dera que ele ecoasse pelo mundo fora e que todos os filhos da Mãe do Céu ouvissem o som da Sua voz!”.

Leitão & Irmão Joalheiros Leitão & Irmão Joalheiros

Exposição de Ourivesaria sobre  Fátima | www.100anosdefatima.com


A Casa Leitão manufacturou graciosamente, no ano de 1942, com a oferta dos portugueses em sinal de gratidão pelos seus filhos terem sido poupados aos dramas da 2ª Grande Guerra, a Coroa de Nossa Senhora de Fátima, que constitui a mais notável obra de joalharia portuguesa do século XX e, simultaneamente, a mais conhecida no mundo. Trabalharam na coroa 12 joalheiros / ourives, durante três meses. Foram cravadas 2992 pedras preciosas, segundo desenho criado pela Casa Leitão, onde se destacam oito hastes de ouro, o que corresponde heraldicamente a uma coroa de rainha. A coroação realizou-se, oficialmente, em 13 de Maio de 1946, em Fátima, pelo Legado Pontifício.


Quase meio século depois, em 1984, esta obra ganhou outro relevo quando o Papa João Paulo II ofereceu a Nossa Senhora de Fátima a bala que o atingiu no atentado de 13 de Maio de 1981 no Vaticano. A bala encontrou o encaixe perfeito no espaço vazio, deixado em 1942 na união das oito hastes que constituem a coroa de Rainha.

Nossa Senhora de Fátima (Lisboa) Nossa Senhora de Fátima (Lisboa)

A igreja de Nossa Senhora de Fátima, dedicada a 13 de Outubro de 1938, 21 anos após a última aparição da Virgem na Cova da Iria, é um exemplo da conjugação entre a arte e a espiritualidade cristã. Quando foi construída, a igreja suscitou «bastante polémica», levando à intervenção do Cardeal Patriarca de Lisboa, Manuel Gonçalves Cerejeira (1888-1977), em defesa dos arquitectos, dirigidos por Porfírio Pardal Monteiro, e dos artistas, entre os quais Almada Negreiros e Leopoldo de Almeida.


As imagens de Nossa Senhora de Fátima e dos Pastorinhos que estão expostas junto ao altar são de autoria de Leopoldo de Almeida, (1898-1975), uma das figuras mais marcantes da escultura portuguesa do século XX e, particularmente, uma das melhores expressões da estatuária oficial modernizante implementa na arte do séc. XX em Portugal.

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